Sentado ao meio fio, dei-me conta de que a paisagem a tempos não se modifica, as horas se arrastam num passo monotono e marcado, nenhum novo sentimento está desperto. Nenhuma nova sensação se aflora. Lembrei-me dos momentos de loucura desvairada, de atos cometidos e nem sempre consentidos. Lembrei-me do frescor que é sentir uma paixão, do frio no estomago toda vez que o telefone toca, da cara de decepção ao abrir o e-mail e não possuir nenhuma mensagem que foi aguardada durante horas.
Revirei meus arquivos e, ao me deparar com cenas de palpitação e da angústia da espera, pensei em parar de procurar. Mas ai eu ví, lá, bem no fundo, uma caixa empoeirada e lacrada, nela havia um aviso que dizia: Cuidado, não abra.
Como não fazia o menor sentido possuir uma coisa lacrada, decidi espiar antes de abrir, com cautela. Nessa caixa bem pequena, eu vi um turbilhão de emoções de todas as cores. Foi como uma onda, onde todas as sensações foram sentidas ao mesmo tempo. Vi claramente todas as coisas ruins se dissiparem magicamente num simples olhar recebido, numa mensagem de texto perguntando como você está, num soriso de canto de boca, em um olhar que diz um texto inteiro.
Percebi que é muito simples arquivar todas as coisas ruins mas o difícil é conseguir deixar de lado as coisas boas. Tirei o pó das recordações e coloquei em um local de destaque, para que eu possa visitar sempre que tiver vontade, a trilha musical sempre vai fazer parte deste momento mágico. O que deu certo enquanto durou.

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