domingo, 8 de agosto de 2010

Caindo na real

          E derepente, ele se deu conta de que estava no meio do mar revolto, porém estava sobre um porto seguro, não importava o tamanho das ondas e a força do vento,o local onde ele estava parecia intacto, não entendia como isso poderia acontecer, achava que o turbilhão a sua volta uma hora chegaria até ele.
          Se precipitou e fez barragens bem altas e sólidas, trabalhou arduamente para que sua paz não fosse pertubada que deixou de contemplar a vista que o rodeava, fez um trabalho tão bem feito que o vento não mais soprava sua face, o cheiro do mar não conseguia penetrar em sua redoma, e dai começou a sentir-se infeliz.
        Um dia acordou e, cansado do marasmo da proteção começou a fazer o caminho inverso, muito tempo havia se passado e cada pedaço da sua barragem parecia muito mais pesado do que fora um dia, fez isso durante meses e a cada dia tinha um pouco do mundo revelado novamente a sua frente.
      Alguma coisa havia mudado nele, agora ele contemplava coisas que antes não dava importânica. após tirar o último saco de areia, ele descalçou os sapatos, subiu a barra da calça e sentou-se bem na pontinha, longe o bastante para continuar a sentir-se protegido, porém perto o suficiente para que as sensações fossem vividas. Aprendeu consigo mesmo, e ao entardecer olhou para trás e viu seu lar.
        Teve a certeza que não importa o quanto o mar esteja agitado ou o vento forte, seu lar, seu porto seguro contianuaria de pé. De tempos em tempos será preciso fazer um ajuste ou um reparo, mas sabe agora que a tem que ser leve e que o vento chacoalha mas não derruba.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Sentado ao meio fio, dei-me conta de que a paisagem a tempos não se modifica,  as horas se arrastam num passo monotono e marcado, nenhum novo sentimento está desperto. Nenhuma nova sensação se aflora. Lembrei-me dos momentos de loucura desvairada, de atos cometidos e nem sempre consentidos. Lembrei-me do frescor que é sentir uma paixão, do frio no estomago toda vez que o  telefone toca, da cara de decepção ao abrir o e-mail e não possuir nenhuma  mensagem que foi aguardada durante horas. 
          Revirei meus arquivos e, ao me deparar com cenas de palpitação e da angústia da espera, pensei em parar de procurar. Mas ai eu ví, lá, bem no fundo, uma  caixa empoeirada e lacrada, nela havia um aviso que dizia: Cuidado, não abra.
          Como não fazia o menor sentido possuir uma coisa lacrada, decidi espiar antes de abrir, com cautela. Nessa caixa bem pequena, eu vi um turbilhão de emoções de todas as cores.  Foi como uma onda, onde todas as sensações foram sentidas ao mesmo tempo. Vi claramente todas as coisas ruins se dissiparem magicamente num simples olhar recebido, numa mensagem de texto perguntando como você está, num soriso de canto de boca, em um olhar que diz um texto inteiro.
          Percebi que é muito simples arquivar todas as coisas ruins mas o difícil é conseguir deixar de lado as coisas boas. Tirei o pó das recordações e coloquei em um local de destaque, para que eu possa visitar sempre que tiver vontade, a trilha musical sempre vai fazer parte deste momento mágico. O que deu certo enquanto durou.